O esforço da fé
(Foto: Internet)
Devotos de Nossa Senhora de Nazaré já participam da tradicional ciclo-romaria até a Basílica Santuário, em Belém. A programação já se tornou tradição nesta época de homenagens a padroeira dos paraenses. Os ciclistas saem de Castanhal na antevéspera do Círio. O grupo já faz o percurso há cerca de onze anos e a romaria dos ciclistas dura por volta de seis horas de trajeto.
A tradição da ciclo-romaria começou com sete ciclistas e, neste ano, a expectativa do grupo é reunir cerca de 300 ciclistas de Castanhal e Igarapé Açú, cidade do nordeste paraense. É preciso preparo físico e muita fé no que deseja. Em alerta ao fluxo intenso na BR-316, a ordem é andar em fila indiana, sempre próxima ao acostamento. Agentes da Policia Rodoviária Federal fizeram a escolta para garantir a segurança dos cicloromeiros.
O deputado Márcio Miranda, presidente da Assembleia Legislativa, é um dos participantes da ciclo-romaria. Há quatro anos, ele começou a pedalar nesse percurso. “Comecei por causa da minha mulher, que pratica ciclismo e me chamava sempre”, lembra o parlamentar. ”É cansativo, mas é um sacrifício que compensa porque tudo gira em torno do clima que se cria, a atmosfera que envolve essas pessoas que vem fazendo orações. A gente vem fazendo reflexões e é bom, porque mobiliza com fé”, avalia Márcio Miranda.
Para ele, o que mais impressiona é a solidariedade na estrada. “As pessoas vem de carro levando lanches e água. No trajeto, muita gente abre suas casas, preparam barracas na margem da estrada para atender os romeiros, até com massagens, então a solidariedade é muito grande”.
Ele mesmo já garantia esse apoio aos romeiros. “Há sete anos dou apoio com um ônibus, com pessoas ajudando, enfermeiros e material para curativos. Trazemos caixas de ataduras e de pomadas para dor, as pessoas criam bolhas, mas mesmo assim fazem questão de completar o trajeto”, destaca.
Marcio Miranda garante que a chegada na Basílica é algo único. “Todo mundo é tomado de emoção. Participar disso é algo que complementa, que veio a parte como um desafio, mas que depois virou algo que une todo mundo na fé por N.Sra, e amplia a devoção”, avalia ele. “A procissão do círio, em si, já é algo muito forte, mas essa coisa de vir caminhando pelas estradas, isso agrega mais fé, nos faz ter momentos de muita reflexão, pensamos muita coisa, agradecemos muita coisa, vira uma grande confraternização com o desejo de fazer melhor”, conclui.
A PÉ - Como a ciclo-romaria, há também a romaria. São centenas de fiéis que fazem o mesmo percurso, à pé, de Castanhal à Belém.
A romaria de Castanhal começou com uma promessa em 1979. Nesses 37 anos, já se tornou uma das mais tradicionais, chegando a reunir mais de mil peregrinos. Durante os dias que antecedem o Círio de Nazaré é muito comum ver romeiros andarilhos vindos de vários municípios do interior do Estado, principalmente do Nordeste do Estado, que se unem em caminhada pelas estradas para homenagear Nossa Senhora de Nazaré.
O grupo se concentra na praça Matriz de São José, em Castanhal. De lá, são 80 quilômetros de percurso até o destino final, na Basílica Santuário de Nazaré.
ORIGEM - O fundador, Raimundo Corrêa, mais conhecido como “Zé do Bode”, conta que iniciou a romaria com a companhia de apenas duas pessoas. A ideia de andar de Castanhal a Belém, surgiu após o nascimento do filho de Zé do Bode . A criança nasceu com uma grave doença e corria o risco de vida. Devoto de Nossa Senhora há muitos anos, Zé pediu à Santa que salvasse seu filho, prometendo que se tivesse a graça alcançada, faria o percurso, de mais de 70 km, a pé até que seu filho completasse 30 anos. Esse ano, Zé do Bode terminou de cumprir sua promessa, iniciada em 1979. “Meu filho se curou ainda pequeno. Mesmo assim decidi fazer a caminhada. Consegui cumprir neste ano, porém, não pretendo parar. Consegui mobilizar muitas pessoas e pretendo fazer que essa caminhada cresça ainda mais”, diz o homem, que, aos 60 anos de idade, esbanja força de vontade, determinação e fé.
Ao longo do percurso, Zé do Bode é um dos mais animados e carrega durante todo o caminho, uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, pendurada em seu pescoço. “Já cheguei a carregar uma cruz durante algum tempo. Agora não dá mais, estou ficando velho, por isso levo a mãezinha no meu colo”.
A Romaria Castanhal-Belém começa no dia 5 de outubro, com uma missa na Praça Matriz de Castanhal, seguida do início da romaria, com chegada prevista para a manhã do dia 6, em Belém. São 24 horas de caminhada para cumprir o percurso. Os fiéis cantam, rezam, choram, se emocionam, agradecem e andam sem parar.
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