Na Fasepa
Foto: THIAGO FURTADO / ASCOM FASEPA
Mães e filhos extravasaram emoção e carinho na programação alusiva ao Dia das Mães nas 15 unidades da Fasepa, mostrando a importância da presença familiar na socioeducação (Foto: THIAGO FURTADO / ASCOM FASEPA)
O Dia das Mães na socioeducação é uma data marcada pela emoção de reencontros e pelo fortalecimento dos vínculos afetivos. Pensando nisso, profissionais que atuam nas 15 unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), localizadas na Região Metropolitana de Belém e no interior do Estado, promoveram ao longo da última semana uma programação variada, alusiva à data.
A iniciativa integra a diretriz da Fasepa de aproveitar as datas comemorativas para desenvolver atividades pedagógicas e integradas entre a equipe técnica, professores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e grupos religiosos que prestam assistência espiritual aos adolescentes e jovens interessados em participar.
A importância dos vínculos familiares e das atividades pedagógicas realizadas nas unidades socioeducativas pode ser traduzida em números. Em 2017, dos jovens que receberam progressão ou cumpriram toda a medida de privação de liberdade, 97% não retornaram ao sistema socioeducativo, o que comprova o papel fundamental da família e da equipe técnica no processo de ressocialização.
Medida necessária - As mães são categóricas ao afirmar que o “combustível” que as alimenta, dando forças para seguir em frente, é formado por amor, esperança e fé. Sem esses três ingredientes, segundo elas, muitas já teriam desistido de acreditar em dias melhores para os filhos. Elas reconhecem que a medida socioeducativa, em seus casos, foi necessária, pois caso seus filhos estivessem em liberdade provavelmente já teriam sido mortos.
“Mesmo triste por não ter meu filho perto de mim, sei que o fato dele estar aqui foi um livramento de Deus, porque se ele estivesse lá fora acho que não estaria vivo. Eu me sinto melhor em saber que ele está aqui, aprendendo coisas boas e repensando tudo aquilo que fez com que ele viesse parar aqui”, declarou a mãe de um adolescente, que aguarda sentença judicial no Centro de Internação do Adolescente Masculino (Ciam), localizado no Bairro Sideral, em Belém.
No Ciam, no Centro Juvenil Masculino (CJM) e na Unidade de Atendimento Socioeducativo de Ananindeua (Uase), a programação contou com momentos de oração e reflexão, relatos de vida, apresentações artísticas e musicalização.
A gestora da Uase Ananindeua, Sônia Cabeça, observou que nenhuma mulher gera um filho para entrar na socioeducação. Segundo ela, pela importância de estreitar os laços maternos e familiares, as mães passam a acompanhar a medida socioeducativa junto com o filho. “As mães da socioeducação não têm um perfil apenas de carência econômica, mas também afetiva e assistencial. Não é fácil para elas virem até o espaço visitar seus filhos. Além disso, muitas viajam longas por distâncias para estar aqui, e se ausentam do emprego para participar dos nossos encontros”, ressaltou Sônia Cabeça.
Em meio a lágrimas e abraços, a troca de olhares refletia o amor, o carinho e a cumplicidade que une mãe e filho. Os arranjos familiares que compõem a socioeducação são plurais: avós ou avôs, tias, primas ou irmãos mais velhos, que tomaram para si a responsabilidade de doar sua afetividade e seu tempo àquele jovem que está passando por um momento difícil.
Reconhecimento - “A minha mãe é tudo pra mim. Foi aqui que eu percebi o quanto ela é importante. Hoje, entendo os conselhos que ela me dava, porque sempre quis o meu bem e que eu cresça na vida”, declarou um dos internos da Uase Ananindeua. Aos 16 anos, ele disse que “apesar do erro que eu cometi, ela sempre esteve ao meu lado, e sei que ainda vou dar muito orgulho para minha mãe. Eu só posso dizer que eu a amo e agradecer pelo dom da vida”.
Nem mesmo a viagem de 12 horas de barco entre o município de Breves, no Arquipélago do Marajó, e Belém, e os custos com transporte, impediram que uma das quase 20 mães presentes à programação do Dia das Mães deixasse de receber a homenagem do filho.
“É a primeira vez que vou passar o Dia das Mães longe do meu filho, e isso é muito triste. Se hoje ele está aqui é porque, em algum momento, eu, como mãe, falhei. Eu amo o meu filho e sempre procurei dar o melhor para ele, mas faltou alguma coisa na nossa relação, que estamos buscando consertar. Eu vou lutar pelo meu filho até o fim e incentivo todas as mães, que têm seus filhos nessa situação, a fazerem o mesmo. Eu acredito que tudo pode mudar, que Deus tudo pode fazer na vida deles, e nós, mães, temos que estar presentes. Eu não vou medir esforços para ajudar o meu filho enquanto ele estiver aqui”, declarou a mulher, cujo filho cumpre medida socioeducativa há seis meses.
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