Enchentes

Defesa Civil monta Centro de Gerenciamento de desastres em São Domingos do Capim

Equipe da Defesa Civil Estadual já está no município de São Domingos do Capim, no nordeste do Estado. A prefeitura decretou estado de calamidade pública depois que a maré alta causou alagamentos em vá (Foto: Maycon Nunes / Ag. Pará)

A Prefeitura de São Domingos do Capim, no nordeste do Estado, decretou situação de emergência depois que a maré alta causou alagamentos em várias ruas do centro do município. “Há 20 anos a gente mora aqui e eu nunca tinha visto uma enchente desse tipo. É a primeira vez. A gente não esperava”, desabafou o agricultor, Manuel Moreira, que mora em um dos pontos críticos da enchente.

Desde a madrugada de quinta para a sexta-feira (22), a maré subiu muito com a aproximação da Pororoca na região. A prefeitura estima que mais de 250 famílias, que vivem no leito do igarapé muru-muru, foram atingidas. “Nós abrigamos no ginásio municipal mais de 150 pessoas. Muitas famílias atingidas não quiseram deixar suas casas, mas perderam quase tudo que tinham. Por isso, estamos dando toda a assistência que eles precisam neste momento. A situação é crítica porque essa área tem influência do igarapé e dos rios que contornam a região”, informou a vice-prefeita, Jany Martins.

Miguel Aires, de 69 anos, precisou fazer uma espécie de jirau, um suporte de madeira para levantar os móveis, depois que a família acordou de madrugada com a casa toda alagada. “Aqui moramos oito pessoas. Minha filha e dois netos estão abrigados no ginásio. Meu pai que é idoso e um bebê recém-nascido estão na casa do vizinho, e eu, meu filho e minha mulher, ficamos aqui com a casa desse jeito”. A esposa de Miguel, Maria José, acordou doente. “Estou com febre, dor no corpo, e ainda acordei com a rede molhada, a água já batia na gente”.

Somando esforços ao trabalho de assistência da prefeitura, vários grupos de voluntários, inclusive da paróquia da cidade, estão se solidarizando e distribuindo água mineral para quem ficou com as torneiras e bombas d’água submersas pela cheia. A agente comunitária de saúde, Maria Santana, montou na casa dela, que fica na parte mais alta, um ponto de apoio para oferecer café da manhã, roupas e outras doações que chegam. “Abrimos o espaço para ajudar. Essa noite eu só dormi duas horas porque qualquer barulho a gente fica preocupada, já que a água está subindo e as pessoas estão pedindo ajuda. É importante a gente ficar alerta”.

Dona Guilhermina, de 80 anos, foi resgatada por equipes do Corpo de Bombeiros. “Minha casa foi ao fundo, a água batia na cintura. Aí eles chegaram de canoa na porta da minha casa, nós embarcamos e na terra firme nos levaram de carro até o ginásio”, contou.

DEFESA CIVIL DO ESTADO – Uma equipe da Defesa Civil Estadual chegou, na manhã deste sábado (23), em São Domingos do Capim, depois de ser acionada pelas autoridades locais. “Montamos uma sala de situação e um comando de gerenciamento de desastres. Vamos fazer um levantamento da situação e auxiliar o município no direcionamento de ações de respostas aos danos e prejuízos. Ficaremos por tempo indeterminado”, informou o capitão Marcelo Santos.

O prefeito de São Domingos do Capim, Elsinho Silva, afirma que todas as secretarias locais estão empenhadas para diminuir os danos causados pela enchente. “O nosso foco é resgatar essas pessoas atingidas e levar para um local seguro, além de arrecadar cestas básicas, água e mantimentos”. Ele agradeceu ainda os esforços do Governo do Estado, ao enviar a Defesa Civil Estadual para prestar auxílio ao município.  “Vamos aproveitar esse momento para reestruturar a Defesa Civil Municipal e assim poder acessar linhas de créditos. Para isso, é de fundamental importância a presença da Defesa Civil Estadual, nos assessorando nesse processo”.

A chegada da Defesa Civil Estadual encheu de esperança as famílias atingidas. “Com a ajuda do Estado, acredito que a Prefeitura terá mais condições de fazer algo por nós. A gente quer ser avisado com antecedência para tentar salvar nossas coisas e procurar um abrigo”, disse a dona de casa, Etervina Brito.


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