Live
Psicologia e redes sociais: potencialidades e orientações éticas (Foto: Divulgação)
O isolamento social durante a pandemia impulsionou mudanças drásticas na rotina e muita gente tive que se adaptar ao trabalho remoto e ao uso de redes sociais. Na Psicologia, estudantes e profissionais têm produzido conteúdos voltados para o debate sobre saúde mental. Como ferramenta de interação e mecanismo para popularizar informações sobre a temática da Psicologia, as redes se mostram promissoras, mas precisam ser operadas de forma ética e atenta à ciência. Para discutir as potencialidades e orientações para o uso adequado das redes por profissionais da saúde mental, o Conselho Regional de Psicologia do Pará e Amapá (CRP-10) promove live nesta quarta-feira (3), às 19h.
Vitória Amorim, estudante do 7º semestre de Psicologia na Universidade Federal do Pará (UFPA), conta que começou a partilhar conteúdos sobre saúde mental durante a pandemia. “Procurei fazer cursos para me manter ocupada, já que as aulas foram suspensas. Fiz um curso sobre saúde mental durante a Covid-19, da Fiocruz. Percebi que compartilhar essas informações ajudaria muita gente, ainda que não fosse gente da área. Comecei a partilhar dicas de bem-estar em casa, sobre violência contra mulher na pandemia, quarentena com crianças. Obtive um retorno bom e criei um perfil profissional para isso. Assim surgiu o @desvio.psi, em agosto de 2020”, conta.
Amorim relata que sua atuação nas mídias sociais busca abordar a luta antimanicomial, por meio de uma perspectiva mais crítica e política da Psicologia. “Para isso, as redes sociais têm uma importância absurda porque o conteúdo de saúde mental, de modo geral, nas redes, é muito individualizado, parte de uma perspectiva só de cuidado centrado na Psicoterapia. Minha ideia é de ampliar essa visão. Enquanto estudante, percebo que a luta antimanicomial ainda se atrela muito à academia, não está no senso comum. A ideia do @desvio.psi é pensar a Psicologia Social e aproximar essa luta das pessoas”, diz.
Ao usar as redes sociais profissionalmente, estudantes e psicólogos devem estar atentos a orientações éticas. “Todos devem zelar para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições, da base científica e do papel social da profissão, além de não expor os pacientes e não ferir a confiabilidade e sigilo com os mesmos”, destaca Jureuda Guerra, presidente do CRP-10.
Entre as orientações sinalizadas pelo Conselho Federal e Regional de Psicologia para divulgar trabalho enquanto psicólogo na internet, destacam-se: informar nome completo, CRP e número de registro; fazer referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua; divulgar somente qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão; não utilizar o preço do serviço como forma de propaganda; não fazer previsão taxativa de resultados; não se autopromover em detrimento de outros profissionais; não propor atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais; não divulgar de modo sensacionalista as atividades profissionais.
Robert Damasceno Rodrigues, psicólogo de orientação e fiscalização, destaque que é preciso ainda estar atento para que não sejam usadas nas redes informações que possam discriminar a convicções religiosas, políticas ou ideológicas. “Além disso, nenhum profissional da área deve compartilhar ou produzir nas redes sociais conteúdos que reproduzem formas de discriminação, preconceitos e formas de exploração das mais diversas. Temos compromisso com a defesa dos Direitos Humanos”, ressalta.
Trazer para redes assuntos sobre saúde mental contribui para a disseminação de importantes informações a respeito do tema, que se torna ainda mais urgente diante do contexto pandêmico, estopim para adoecimentos psíquicos. A contribuição de pessoas que atuam na área, destaca Vitória Amorim, pode ser importante para a construção de redes sociais mais propositivas e acolhedoras. “As redes sociais podem ser muito nocivas para a nossa saúde mental. Nesses espaços, se vende muito facilmente uma imagem de perfeição, de felicidade: “aquela pessoa é mais produtiva que eu, mais bonita, mais legal”. Isso pode gerar um sentimento de competitividade, de mal-estar, tristeza. Quando a gente começa a ocupar esses espaços pensando em trazer debates, reflexões, questões mais importantes, a gente pode mudar a função, o sentido dessas redes e construir algo mais saudável e válido, que agregue mais do que traga malefícios”.
Serviço
Live "Psicologia e redes sociais: questões éticas e possibilidades", nesta quarta-feira, 3, às 19h, pelo Facebook do CRP-10. Debatedores: Robert Damasceno Rodrigues (CRP10/07512), psicólogo de orientação e fiscalização; Vitória Amorim, estudante do 7º semestre de Psicologia na UFPA. Instragram @desvio.psi; mediadora: Jureuda Guerra, presidente do CRP-10.
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