BIENAL DE ARTES

Mostra de Sabores encanta o público na I Festa Literária de Belém

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O cheirinho bom carregado de memória e afeto da comida cabocla exalou pelos espaços da Fundação Cultural do Pará (FCP), sede do Centur, onde foi realizada a I Festa Literária de Belém (Flibe), promovida pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec). Era a apresentação da I Mostra de Sabores, sob a execução da Coordenadoria de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Coejai/Semec), destaque na programação da Flibe, que encerrou nesta sexta-feira, 23, após uma semana de festa literária.

A Flibe, parte da Bienal de Artes de Belém, ofereceu ao público memória e afeto, com o festival gastronômico realizado na quarta-feira, 21, e na quinta-feira, 22. “Para além de levar pratos lindos e saborosos, levou memórias, afetos, histórias e ancestralidade”, avaliou o professor e pesquisador Miguel Picanço, coordenador da Coejai, ao comemorar o sucesso do encontro.

“Superou nossas expectativas e é uma proposta que veio para ficar, compondo o currículo da educação de jovens, adultos e idosos, e estabelecendo o diálogo entre a cultura alimentar e a escolarização desses estudantes”, completou.

No primeiro dia do encontro foram apresentados 15 pratos com as mais diversas iguarias da nossa região. Neste vasto cardápio amazônico teve peixe, açaí, chibé, pato no tucupi, doces com pupunha, tudo para deixar o visitante mais exigente com água na boca.

Os pratos foram produzidos por servidores que trabalham nas escolas da Ejai. A vencedora nesta categoria foi Ruth Cristina Lopes de Souza, assistente administrativo da Escola Olga Benário, com o prato “Avoado de Gó contemporâneo”, acompanhado de farinha, tucupi, jambu e pimentas diversas.

No segundo dia da mostra, mais 23 pratos foram servidos. Desta vez, foram os estudantes das escolas de educação de jovens, adultos e idosos que tiveram a oportunidade de mostrar as suas habilidades culinárias associadas às suas lembranças da infância e das histórias perpetuadas na família.

Já nesta categoria, duas vencedoras: a primeira colocada foi Carmen Lúcia Pereira Lima, com o sabor inigualável do seu “Mingua de Açaí”; e o segundo lugar ficou com Estefane Marcela Batista Rebelo, que levou o prato “Caribé” à sua moda, ou seja, uma gostosura só. As duas estudantes são da Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Rotary.

Os 38 pratos inscritos na mostra foram avaliados por duas juradas de reconhecido saber sobre a culinária alimentar amazônida: professoras Sidiana Macedo, doutora em História Social de Amazônia, e Auda Piani, pesquisadora na área de saberes tradicionais.

Para elas, o evento teve uma importância fundamental. “O fortalecimento das nossas raízes, na perspectiva de articular o currículo com nossa cultura e patrimônio alimentar”, disse Auda. Opinião compartilhada pela professora Sidiana, sobretudo, por ser “importante fomentar nas escolas esse lugar de pertencimento caboclo a partir da alimentação”.

Empoderamento - Para além da festa de congraçamento entre estudantes e profissionais da educação, das histórias de vida demonstradas no detalhe do tempero, generosamente, emprestando sabor a cada prato, “foi um momento ímpar para a Ejai de Belém, de visibilidade e empoderamento”, concluiu Miguel Picanço.

Emocionada, a estudante Aldineia Santana da Silva Domingos, de 39 anos, da Escola Olga Benário, disse emocionada que “o maior troféu que eu ganhei foi a minha participação aqui. Eu espero cada vez mais mostrar que nós, mulheres, podemos fazer o que gostamos, o que queremos, sermos o que desejamos ser. Estou muito feliz por essa oportunidade, é a primeira vez que venho ao Centur e agradeço a todos vocês por isso”.

Alfabetização à Mesa - Foram dois dias de exposição do melhor da comida genuinamente cabocla, desdobramento do projeto “Alfabetização à Mesa: sabores e saberes”, que utiliza a riqueza e a diversidade da cultura alimentar amazônica no cotidiano da sala de aula como suportes no processo de ensino-aprendizagem.

"A ideia é tentar amazonizar, aproximar o currículo da Ejai com essa cultura alimentar que é tão singular para estudantes, professores e para a nossa população", sublinhou Miguel Picanço, ao destacar que, apesar dos processos de padronização dos costumes alimentares, “é possível manter outras práticas que trazem ancestralidade, como por exemplo, comer a farinha, o que é muito presente na mesa do paraense. Estamos trazendo para as salas de aula conteúdos, histórias, memórias e afetos que falam do cotidiano desses estudantes”.

 


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