Cultura
O público que for visitar a mostra terá acesso, também, às cartas trocadas entre o artista e o colecionador (Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
A exposição com obras de Cândido Portinari fica em Belém até este domingo, 9. A mostra, com mais de 50 obras, expostas no Museu Histórico do Estado do Pará (MHE), deveria ter encerrado no dia 2 de março, mas ganhou mais sete dias na capital paraense. Até esta quarta-feira, 6, mais de 10 mil pessoas visitaram "Portinari na Coleção Castro Maya", uma mostra inspirada na amizade de 20 anos entre o pintor e o colecionador Raimundo de Castro Maya.
Segundo o diretor do MHE, Sérgio Melo, o número de visitantes é inédito e superou as expectativas do museu. “Esperávamos uma grande visitação, mas não imaginamos que iria atrair tanta gente. Foi uma boa surpresa, que demonstra que o Governo está no caminho certo em proporcionar o acesso da população a obras de arte que são patrimônio nacional”.
Para Sérgio Melo, existe uma grande demanda de pessoas interessadas em participar de projetos de boa qualidade, como a exposição de Portinari. “O público foi o mais variado possível. De excursões escolares a profissionais de arte. Também tivemos muitas pessoas do interior do estado que vieram prestigiar a exposição. O bom é que os visitantes aproveitam para visitar a exposição permanente do museu e assim renovamos o nosso público. O Museu do Estado vem trabalhando para levar o museu até as pessoas e aproximar a arte ao público”.
O diretor do MHE explica, ainda, que a vinda de grandes exposições para o Museu Histórico do Estado do Pará é reflexo do investimento na infraestrutura do museu, com o aparelhamento adequado para receber exposições com obras importantes como as de Portinari. “O museu tem sido aprovado no aparelhamento das salas de exposição. Conseguimos ser contemplados com mais uma mostra do projeto itinerante da Petrobrás com a 'Amazônia Ciclos de Modernidades’ que vem pra Belém em agosto. Também estamos em negociação para trazer a mostra ‘Mestres da Gravura’, uma coleção da Biblioteca Nacional”, contou Sérgio Melo, diretor do MHE.
A professora Sônia Santos aproveitou a oportunidade e junto com os filhos, Leonardo e Caroline, foi conhecer as obras de um dos maiores nomes da arte moderna no Brasil. “É uma ótima oportunidade pra gente conhecer as obras de um artista brasileiro tão importante. Estou impressionada com a exposição, é tudo muito bonito. É a primeira vez que visito uma exposição na companhia dos meus filhos e está sendo uma experiência muito boa. É uma pena que tenha sido por pouco tempo”.
Esta foi a primeira vez que Caroline Santos visitou uma exposição de arte. A estudante ficou surpresa com a quantidade de obras e, principalmente, com as informações sobre o artista. “O bom dessa exposição é que a gente conhece as obras e também conhece o artista. Tem várias cartas trocadas entre Portinari e o amigo dele, e a gente pode ler essas cartas e saber como o pintor pensava. Gostei muito e recomendo essa experiência”.
O que chamou a atenção de Leonardo Santos foram os rascunhos das obras que também estão em exposição. “Não pensava que os rascunhos fossem tão simples. Conhecer esse processo de execução de um quadro é um incentivo para pessoas que, como eu, gostam de pintar. A exposição é linda e todo mundo deveria vir visitar e ver os quadros do Portinari de perto”.
A exposição é dividida em três partes: obras que Castro Maya comprou de Portinari; trabalhos que o colecionador encomendou ao artista; e obras que o artista deu de presente para o amigo. São pinturas, desenhos e gravuras de Portinari, que configuram o maior acervo público do artista.
Entre as 58 obras do pintor que estão expostas no MHE, a série de 21 desenhos de Dom Quixote, que Portinari fez para ilustrar um livro, que não chegou a ser publicado, chamou a atenção do fotógrafo Janduari Simões, que visitava a exposição pela segunda vez. “Essa exposição é um presente para Belém. A gente vive muito longe dos lugares onde as grandes obras estão expostas, então a gente tem que aproveitar a oportunidade. Eu gostei muito dos desenhos de Don Quixote e da forma como o artista retratou a infância”, destacou.
A mostra ”Portinari na Coleção Castro Maya” faz parte das comemorações pelos 398 anos de Belém e já percorreu sete cidades brasileiras. As obras trazidas para a capital paraense fazem parte do museu da Chácara do Céu, um dos Museus Castro Maya. A exposição faz parte do projeto Circuito Petrobras de Exposição, em parceria com o Governo Federal e Governo do Estado do Pará. Entre os destaques da mostra estão as obras "Menino com Pião" (1947), "O Sonho" (1938), "Grupo de Meninas Brincando" (1940), "A Barca" e "O Sapateiro de Brodósqui" (1941), "Lavadeiras" (1943) e "Morro n. 11" (1958), além da série "Dom Quixote".
Serviço:
A exposição "Portinari na Coleção Castro Maya" ficará aberta até domingo, 9, no Museu Histórico do Estado do Pará. O horário para visitação nesta sexta-feira é de 10h às 18h, e e no sábado e domingo, de 10h às 14h. Entrada franca. Realização: Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).
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