Remição de pena

'Leitura que Liberta' completa um ano no Centro de Recuperação do Coqueiro

Internos do Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC), localizado no município de Ananindeua (Região Metropolitana de Belém), comemoraram na manhã desta quinta-feira (16) um ano do Projeto Leitura que Liberta. A iniciativa trabalha a remição de pena pela leitura em oito unidades prisionais do Pará. No CRC, o projeto de remição pela leitura é desenvolvido por dois professores e uma pedagoga, e atende 34 internos divididos em duas turmas.

A programação incluiu palestra ministrada por professores, que avaliaram o projeto, e palestra dos alunos, que compartilharam as experiências com a literatura. Houve ainda apresentação musical dos internos Elias Barbosa e Jeferson Maciel.

Atualmente, 113 detentos custodiados pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) participam do projeto, que começou por meio de um esforço concentrado da Defensoria Pública, Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Susipe.

O objetivo é tornar possível a remição de pena pela leitura no Pará, prática já adotada em outros estados. Todos os livros utilizados no projeto são doados. São títulos dos mais variados temas, da literatura brasileira e mundial, como ficção, aventura, romance, autobiografia, história, filosofia, sociologia e política.

O professor Ribamar Oliveira, que acompanha os alunos, informou que "os reeducandos escolhem o livro, têm 30 dias para ler e, depois, passam por arguição oral, e também produzem material textual, no formato de relatório ou resenha, o que seria uma avaliação para a gente saber se ele realmente leu e compreendeu a obra. Cada livro lido e relatório entregue representa quatro dias de remição da pena”.

Avanços - O professor garantiu que os benefícios vão além dos dias remidos. “Percebo muitas melhorias, dentre elas na escrita, porque percebemos que nos primeiros relatórios apresentados há  muitos desvios de convenção de escrita. Quando eles estão já no décimo livro, a gente percebe que houve uma diminuição dos erros. A leitura também ajuda muitos deles a compreender melhor sua função social”, disse professor.

“O projeto é muito bom. Eu desenvolvi muito a minha leitura, minha escrita e caligrafia. Aqui a gente escreve muito. Já gastei mais de 10 canetas. Eu já li 15 livros, e o último foi a história da Malala, uma ativista paquistanesa. Foi a pessoa mais nova a receber um Prêmio Nobel", contou o interno Timóteo Tolvai.

Para Pedro Henrique Araújo, também interno no CRC, a leitura é uma forma de produzir e aprender. "Além de dar valor para quem já gosta de ler, o projeto é uma alternativa de remição de pena para quem não consegue vaga de trabalho. É uma forma de produzir conhecimento dentro do cárcere. O livro sempre tem uma mensagem no final, alguma coisa que a gente pode tirar como lição de forma positiva e levar para a nossa vida”, disse Pedro Henrique.

O Projeto Leitura que Liberta é desenvolvido no Centro de Recuperação Coronel Anastácio das Neves (CRCAN), Centro de Recuperação Penitenciário do Pará II (CRPP II), Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (Cpasi), Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua (CRF), Centro de Recuperação Regional de Castanhal (CRRCAST), Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) e Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura (CRASHM), em Santarém. (Por Melina Marcelino).

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