Cinema paraense
Foto: Arquivo Alexandre de Moraes / Ascom UFPA
Professora da UFPA, Zélia Amador foi uma das fundadoras do Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa) (Foto: Arquivo Alexandre de Moraes / Ascom UFPA)
A trajetória da professora Zélia Amador de Deus, uma das principais referências na luta pela visibilidade negra no país, será tema de um curta-metragem paraense. O projeto foi contemplado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) por intermédio do Edital Aldir Blanc Pará Audiovisual.
Idealizado pelo filmmaker Glauco Melo, O filme “Amador, Zélia”, marca também a estreia de uma nova produtora audiovisual no estado, a Floresta Urbana. Em aproximadamente 24 minutos, o filme irá misturar depoimentos, animação e dramatização para contar a história da ativista.
“A história de Zélia é inspiradora para toda a sociedade, principalmente nos tempos de retrocessos que estamos vivendo”, resume Glauco Melo ao refletir sobre a ideia de documentar a vida e a obra de Zélia Amador. Uma das ideias propostas no roteiro de Ismael Machado foi a de sublinhar algumas passagens da trajetória de Zélia com uma dramatização simulando um monólogo teatral. Quem assume esse papel é a atriz e ativista cultural Carol Pabiq.
“Costuma-se chamar de ‘prêmio’ ou de ‘presente’ quando a gente recebe um trabalho para dar vida a um personagem. E depois de 10 anos longe dos palcos e dos sets de filmagem ser convidada para viver Zélia Amador de Deus no cinema é uma honra. Pois Zélia é muito querida e admirada por mim, por artistas, por ativistas, pela intelectualidade, pela sociedade como um todo”, avalia Carol Pabiq.
Depoimentos e Animação
Outro diferencial no curta é o uso de ilustrações animadas para contar outras passagens da vida de Zélia, assim como representar algumas emoções relacionadas à personagem. A tarefa coube a Josiel Paz, jovem ilustrador ‘queer’ que aos 21 anos, descobriu na arte um “alivio às dores que o racismo e as inúmeras fobias sofridas lhe causavam”.
“Estar nesse projeto, falando de Zélia especificamente, é entusiasmante e desafiador. Ela foi uma das primeiras professoras que tive na universidade, a primeira preta. E vê-la naquela posição me deu mais coragem para não desistir. Zélia não é qualquer professora. Ensinou a turma, apenas provocando debates, discussões, tirando máscaras que tapavam o racismo e a intolerância pré-existente advinda da nossa criação”.
“É um trabalho feito com muito carinho”, resume a produtora executiva do projeto, Aline Paes. Isso se reflete, inclusive nos procedimentos de segurança à saúde no processo de filmagem. Os depoimentos colhidos com Zélia foram cercados de todos os cuidados. A equipe manteve distanciamento, usou luvas, máscaras e pantufas. “São cuidados necessários para preservar a equipe e os entrevistados”, complementa a diretora de produção Michelle Maia.
Zélia Amador é professora da Universidade Federal do Pará, coordenadora da Assessoria de Diversidade e Inclusão Social, atriz, diretora de teatro e ativista do Movimento Negro. Foi uma das fundadoras do Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa) e do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM-UFPA). Foi presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e participou da criação do sistema de cotas negras nas universidades.
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